quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Assim, sim

Se o jogo do Benfica em Manchester não foi mau (perder nunca é bom mas há que reconhecer que a equipa fez um jogo válido e que não foi bafejada pela sorte - incluindo nas decisões arbitrais) já o jogo em Guimarães foi bastante razoável, com momentos de qualidade.

Voltámos a ver mecanismos, rotinas, equilíbrio como equipa. Em suma, trabalho de treino posto em prática no jogo.

Não foi um jogo perfeito - longe disso. Houve ainda erros individuais quase primários e períodos de alguma desconcentração. No entanto, sentiu-se já uma ideia de jogo e uma confiança diferente entre os jogadores.
A curva parece agora ascendente.



Rui Vitória voltou a optar por três médios e a equipa respondeu positivamente, apresentando um equilíbrio e segurança que não se viam havia algum tempo.
Gostei muito de Krovinovic. Parece estar a encontrar o seu ritmo e a intensidade necessária para a posição. Gostei também de Samaris na posição de Pizzi, mostrando mais uma vez que é um jogador com o qual o Benfica pode contar. Creio que esta solução de três médios será para manter nos jogos fora. Em casa penso que a
opção continuará a ser por dois avançados com Jonas a fazer a ligação meio campo -ataque.
Com mais uma paragem extensa no campeonato (para jogos de seleção e Taça) Rui Vitória terá bastante tempo para consolidar esta solução.
O empate do Sporting mostra bem que o campeonato está muito longe de estar perdido e que as coisas podem mudar muito rapidamente, por vezes em apenas uma ou duas jornadas. O Porto terá igualmente os seus percalços: não descobriram de repente a fórmulas da invencibilidade nem Sérgio Conceição é um iluminado no meio de ignorantes.
As coisas têm em geral corrido bem para o seu lado, certamente também por mérito e trabalho, mas no último jogo já demonstraram dificuldades e se o árbitro não tivesse deixado passar dois penalties (um deles escandaloso) as coisas poderiam ter dado ainda mais para o torto. É quando os momentos difíceis chegarem - e vão chegar - que se verá a real capacidade desta equipa.
Pelo nosso lado não há obviamente razões para qualquer embandeirar em arco por uma vitória em Guimarães. A nossa margem de erro continua muito diminuta e se queremos chegar ao penta (e certamente queremos) precisaremos de continuar a subir de rendimento. Os erros de Svilar, André Almeida e a paragem colectiva no golo do Vitória são três falhas básicas que não se devem repetir. A concentração tem que ser mantida ao longo de todo o jogo.
Uma nota final para o vídeo árbitro: como aqui antecipeihttp://justicabenfiquista.blogspot.pt/2017/05/a-ilusao-do-video-arbitro.html, aliás um pouco contra a corrente, não veio resolver os problemas com as arbitragens, nem sequer com os chamados erros grosseiros. O que aconteceu este fim de semana foi memorável pela negativa.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Melhorias ligeiras

De uma coisa Rui Vitória não pode ser acusado: de não tentar mudar o estado de coisas em que a equipa se encontrava, de não tentar novas soluções para melhorar o nosso futebol.

E pode-se dizer que as coisas melhoraram um pouco. No jogo com o United houve uma completa inoperância atacante mas defensivamente não se verificou o desastre que muitos temiam e na Vila das Aves o Benfica ganhou (que era o que mais importava) com alguma tranquilidade. A exibição foi mediana mas nesta fase isso é o menos. 

A introdução na equipa de jovens jogadores tem conferido uma dimensão física muito necessária. Uma das carências que o Benfica tem evidenciado esta época é um défice de capacidade física. Daqui resulta fragilidade defensiva e uma incapacidade em controlar os jogos.



Também as mudanças operadas ao nível do meio campo procuram responder à mesma carência. Os três médios contra o United e os dois médios de contenção contra o Aves (Augusto em detrimento de Pizzi) são a tentativa de Rui Vitória em dar mais equilíbrio e capacidade de choque à equipa no sector nevrálgico do campo. Continuo porém a esperar que Samaris tenha mais oportunidades, não fazendo sentido ostracizar um jogador daquele nível e com aquela capacidade guerreira (ainda que por vezes exagerando, do que têm resultado castigos completamente injustificados e desproporcionais).

A questão é se realmente seremos capazes de manter o campeonato em aberto até janeiro, altura na qual é imperativo reforçar a equipa. Vamos acreditar que sim. O próximo jogo, em casa com o Feirense - já na sexta-feira, é mais uma boa oportunidade para vencer e ganhar confiança, algo que está claramente em níveis muito baixos por estes dias.

Isto até porque a seguir ao Feirense temos duas deslocações difíceis que serão decisivas para as nossas aspirações internas e europeias: Manchester e Guimarães.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Copo 1/4 cheio ou 3/4 vazio?

Está a ser uma época má para os benfiquistas.

Depois de ver sair na pré-época as jóias da coroa e após a conquista do troféu de pré-temporada, a Supertaça, o Benfica tem vindo progressivamente a perder gás. Nos primeiros 6 jogos tivemos apenas um empate, mas nos 8 seguintes apenas 2 vitórias! No presente mini-ciclo (que supostamente deveria ter terminado com o jogo com o Olhanense) empatámos 2 vezes e sofremos 4 derrotas! Quatro derrotas! Três para a Liga dos Campeões e uma para o campeonato. Uma delas uma goleada humilhante.

O jogo de ontem é mais um que não deixa saudades. 28 % de posse de bola e nenhum remate à baliza são números esmagadores que não enganam.

Rui Vitória foi conservador na abordagem e não o critico por isso. Optou por um meio campo mais reforçado, o que faz todo o sentido perante um estratega como Mourinho que privilegia a consistência das suas equipas, sacrificando para isso Jonas. Já a escolha de jogadores me parece mais discutível. Aí Vitória não foi conservador, foi até revolucionário. Os resultados são mistos: Svilar, que já tinha dado boas indicações, voltou a demonstrar presença e personalidade mas comprometeu com um erro básico. Diogo Gonçalves teve alguns apontamentos positivos mas a meu ver não justificou a titularidade num jogo desta importância. Rúben Dias mostrou mais uma vez - agora num teste de elevada exigência - ser um defesa de grande solidez. Finalmente a opção de Filipe Augusto  compreende-se neste esquema de três médios. O brasileiro fez aliás um jogo bastante conseguido.

A Liga dos Campeões está praticamente acabada para o Benfica. Perdendo em casa sem fazer um remate à baliza adversária, teme-se algo de ainda pior no jogo em Manchester. É verdade que não fomos "atropelados" - a nossa defesa deu boa conta das ameaças e isso é um sinal positivo que merece ser destacado. A mudança operada no meio campo é a principal causa e explicação para essa melhoria. Fomos porém completamente inoperantes e inofensivos no ataque. Sálvio fez um jogo de grande esforço e com momentos de classe mas faltava presença na área. Pizzi fez pouco essa ligação e perdeu demasiadas bolas. Os laterais foram um bom apoio ao ataque mas os erros nas saídas, sobretudo de Douglas, criaram situações de aperto para a nossa baliza.  O defesa brasileiro foi aliás ultrapassado algumas vezes de forma perfeitamente infantil.

Restará a Liga Europa mas nem essa se afigura fácil. Fica para além disso a dúvida acerca de como actuaremos daqui para a frente. Parece-me que em casa, em jogos de campeonato e contra equipas fechadas, continuaremos a jogar com dois avançados. Nos jogos fora fica a dúvida. Paralelamente a este quadro de resultados negativos e incertezas quanto ao sistema a usar e jogadores titulares, temos o caso dos emails, continuamente a desgastar, a picar e a provocar os benquistas, hoje ainda agravado com a situação das buscas no Estádio da Luz.

Uns dirão que o copo começou a encher, que pior do que isto é difícil e que daqui para a frente as coisas só poderão melhorar. Outros olham para este quadro deprimente e veem quão mal estamos a vários níveis, apontando que este copo está praticamente vazio. O juízo mantém-se algo indefinido porque a época está ainda no início e será longa. No entanto aproximam-se alguns jogos bem complicados, não havendo já margem de erro. É que já não estamos na pré-época, embora às vezes pareça.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As possibilidades de apuramento do SLB (e a velha questão do 4-4-2)

Mourinho disse (e vale a pena sublinhar o respeito demonstrado pelo Benfica na antecipação do jogo desta noite) que 9 pontos não chegariam para o Benfica se apurar para os oitavos de final. 

Por outras palavras, Mourinho acredita que o CSKA ganhará os dois jogos contra o Basileia e portanto somará 9 pontos; mas não acredita que o Benfica, que diz ser "muito melhor que o CSKA", seja capaz de vencer em Moscovo por 2-1 (ou mais). 

Partindo do princípio que o United vence os jogos com o Basileia (fora) e com o CSKA (em casa) é de facto este o cenário que se coloca: o Benfica precisará sempre de vencer esses dois adversários e ainda de vencer o United pelo menos uma vez. Dependendo da conjugação de resultados até aí, um 2-1 sobre o CSKA poderia ser suficiente (caso conseguíssemos entretanto recuperar os 4 golos de desvantagem face aos russos) ou, pelo contrário, poderíamos precisar de vencer por mais de 1 golo de vantagem. 

Nenhum destes últimos cenários em Moscovo parece impossível. O problema é que para lá chegar o Benfica precisaria de vencer o Manchester. E isso é que não se afigura como alcançável face ao que o temos demonstrado nos últimos jogos. Falta intensidade, velocidade e capacidade física a este Benfica. O Manchester (e outros clubes de topo na Europa e até em Portugal) jogam hoje a um nível que o Benfica não consegue acompanhar. Não temos rotação para tal.

Outro problema é o jogo desligado, a falta de coordenação entre sectores e a incapacidade de ter bola e gerir o jogo. Tudo isto se deve a um meio campo insuficiente para os actuais níveis de exigência. Alguns leitores deixaram aqui comentários no sentido de que um meio campo a dois já não é possível no futebol moderno. É uma discussão já antiga, na qual os defensores dessa tese têm a seu favor o argumento de peso de que a maioria das grandes equipas europeias não joga assim. No entanto também é verdade que essas mesmas equipas, na sua maioria, encontram formas de ter dois avançados com presença física na área. O que eu digo - e disso não tenho dúvidas - é que este 4-4-2, com estes jogadores, não serve para embates desta magnitude. Os extremos do Benfica não apoiam o meio campo, o qual fica demasiado dependente de Pizzi. Se este estiver num dia menos bom ou se a equipa adversária fôr capaz de o anular, o Benfica fica sem soluções e a ver o jogo passar-lhe ao lado. 

Rui Vitória certamente já identificou o problema. Cabe-lhe agora encontrar a solução. Certo é que o jogo de hoje será decisivo. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Benfica- Man Utd. - um desafio e uma oportunidade


O Benfica enfrenta esta quarta-feira o mais poderoso adversário da época. Certamente até ao momento mas porventura mesmo até ao fim da época.

O Manchester deste ano é uma equipa já à imagem de Mourinho, muito pressionante, prática, tremendamente eficaz. 

Está em segundo no campeonato inglês (nesta jornada foi ultrapassada pelo rival City mas apenas em virtude de um empate fora com o Liverpool, resultado que não desmerece ninguém) tendo já um avanço razoável sobre a restante concorrência. E já se viu que o próximo campeão de Inglaterra muito dificilmente não virá de Manchester.

Trata-se por isso de um jogo de dificuldade máxima. Além dos factores já referidos, o Manchester é uma equipa muito poderosa fisicamente, pelo também aí nos testará aos limites.

O Benfica atravessa indiscutivelmente um muito mau período. A época até começou bem mas depois da primeira interrupção no campeonato começou a descarrilar e ainda não voltou a entrar nos eixos. Por isso esta última interrupção veio no melhor momento possível, permitindo assentar ideias e trabalhar novas soluções. O primeiro teste a seguir a esta pausa não foi bom - o jogo com o Olhanense voltou a mostrar todas as insuficiências e deficiências desta equipa, mas temos agora nova oportunidade, com outros níveis de exigência e motivação, de mostrar uma outra qualidade.

Do jogo com o Olhanense gostei muito de Svilar. Mostrou personalidade, confiança, grande agilidade e aquela dose de loucura controlada que os grandes guarda-redes exibem. Parece-me que aí acertámos. Já li críticas muito destrutivas a Douglas mas não as perfilho minimamente. De facto deu muito espaço a defender e denotou lentidão a recuar, mas por outro lado teve excelentes iniciativas atacantes, fez bons centros e dinamizou o corredor. No Benfica um lateral tem preocupações defensivas mínimas, apenas nos jogos da Liga dos Campeões e contra os rivais se exige uma atitude mais cautelosa. Para além disso Douglas vinha de uma grande paragem e o ritmo não será ainda o melhor. Nesse sentido espero para ver antes de fazer juízos muito assertivos. Rúben Dias voltou a dar indicações muito positivas: rápido, forte, seguro e sem complicar. Podemos ter ali jogador. Para além disso o golo de Gabriel Barbosa, o passe de Pizzi e a passagem da eliminatória são as outras notas positivas de uma noite que não deixa saudades.

Terça-feira o Benfica terá um teste completamente diferente, de exigência máxima. Face ao que se vem passando, a exigência do lado dos adeptos é que a equipa faça um bom jogo e se possível que ganhe ou pelo menos empate. Mas sejamos realistas: para tal acontecer o nível de segurança quer na defesa, quer no meio campo, onde se começa a defender, tem que ser radicalmente diferente do que vimos exibindo nos últimos jogos. Principalmente contra uma equipa contra o United seria suicida ter um meio campo desequilibrado e em défice a expôr a nossa defesa à velocidade e poderio físico dos extremos e avançados adversários. Não quero sequer imaginar cenários (que não são impossíveis) muito negativos. Aí as coisas entrariam numa crise profunda. 

Aquilo que espero e desejo é que o Benfica volte a ter uma grande noite europeia e comece finalmente a dar a volta à situação. Foi assim há dois anos: quando ninguém esperava fomos ganhar a Madrid e invertemos um início de época muito negativo, lançando as bases do tri e depois tetra campeonato. É dessa atitude que precisamos quarta-feira.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Emails - ou não há lei no Porto ou os juristas do Benfica são incompetentes

Já é conhecida a decisão do Tribunal Cível do Porto sobre a providência cautelar interposta pelo Benfica: o Porto Canal pode continuar a divulgar publicamente emails de elementos ligados ao Benfica.
Esta decisão surpreende-me e escandaliza-me: no caso da fruta e café com leite o processo foi arquivado porque o Tribunal considerou que as escutas foram obtidas de forma ilegal; no caso de escutas a José Sócrates (aqui há uns anos) o Tribunal ordenou a sua destruição (apesar de terem sido obtidas legalmente por ordem de um juiz) por supostamente não terem matéria criminal; num outro caso um Tribunal impediu a publicação pelo jornal "Sol" de escutas por alegadamente estas violarem o direito de privacidade dos intervenientes (mais uma vez o que estava em causa era a questão dos negócios de Sócrates); e agora num caso em que emails pessoais das mais diversas proveniências e de diferentes indivíduos estão sistematicamente a ser revelados perante o país todo, há um Tribunal que não vê nisso nada de errado.

Por isso digo, ou esta decisão é de facto algo de escandaloso, um atropelo à lei e aos direitos dos cidadãos, nomeadamente o direito a manter as suas comunicações privadas (a violação de correspondência é um crime grave em muitos países) em vez de ver as mesmas ser devassadas em público; ou o departamento jurídico do Benfica é completamente incompetente.

E a razão pela qual admito a segunda possibilidade é que pelas notícias que li o fundamento do Benfica para a providência cautelar foi "concorrência desleal". Isto parece-me absurdo e a ser verdade manifesta uma grande inépcia, dando ao Tribunal uma janela de oportunidade para rejeitar a providência, como de facto fez. Recordo que uma providência cautelar visa impedir algo (neste caso a divulgação de emails) à cabeça (daí se chamar cautelar) ficando a decisão final sobre a matéria adiada para futuro julgamento. Ao invocar a "concorrência" - quando o que está em causa é a divulgação de mails privados obtidos de forma ilegal por terceiros - o Benfica deu um tiro completamente ao lado e expôs-se a esta decisão.

Que o Tribunal poderia ser tendencioso era algo que já se poderia esperar. O falhanço reiterado em condenar Pinto da Costa e a sua entourage, "superdragões" incluídospor crimes que toda a gente sabe terem sido cometidos, a sua protecção descarada e o descrédito lançado sobre aqueles que ousaram denunciá-lo, indiciavam isso de forma clara. Daí mais uma razão para o Benfica instruir este processo de forma inatacável, que não desse oportunidade a juízes facciosos de mais uma vez branquear ilegalidades cometidas pelo FCP. Infelizmente isso não aconteceu, o processo foi, a confirmar-se que as razões do Benfica foram a "concorrência desleal", mal instruído e o resultado está à vista. Parece-me que há erros a mais na estratégia da estrutura nos últimos meses. Exige-se agora uma resposta vigorosa da parte do Benfica. O Benfica não pode continuar a ser enxovalhado diariamente em direto na praça pública e a ficar quieto! A levar a calar. O Benfica sempre foi um clube combativo e tem que responder a estes ataques e provocações de forma exemplar.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A continuidade de Rui Vitória


Nos últimos artigos tenho-me focado muito nas limitações do plantel do Benfica como causa principal dos recentes maus resultados.
Muitos dos comentários aqui deixados e artigos noutros blogs do Benfica têm porém insistido nas responsabilidades de Rui Vitória, sendo (ou parecendo) opinião generalizada que o treinador não tem condições para inverter a situação e deve sair.

Muito embora percebendo todas as críticas e a descrença, penso que não chegámos a esse momento e que Rui Vitória ainda pode dar a volta à situação. Segue-se a minha avaliação, estando os leitores convidados a deixar os seus comentários e opiniões, como sempre aqui acontece.


A solidez mental de Rui Vitória


Fui um grande crítico de Rui Vitória nos seus primeiros tempos de Benfica. Não engoli muito o argumento de que a "estrutura" seria um garante de uma estabilidade e solidez que permitiria ao clube continuar a senda vitoriosa. Achava que Rui Vitória não tinha dimensão para o Benfica. A verdade é que, depois de um início titubeante, no momento da verdade Rui Vitória mostrou grande frieza. Nunca se "desmontou", nunca colapsou perante as críticas, a desconfiança e as provocações e no fim soube pôr o Benfica a jogar um grande futebol e a vencer títulos.

A integração de jovens na equipa


Rui Vitória é o responsável pelo lançamento de vários jovens jogadores na equipa principal: Nélson Semedo, Renato Sanches, Victor Lindelof, Gonçalo Guedes e Éderson. Muitos outros tiveram oportunidades, mas por esta ou aquela razão (ainda) não se impuseram. Acima de tudo fica a ideia de que Vitória não tem qualquer receio em apostar nos jogadores e que estes, sentindo-se apoiados e portanto confiantes, mostram as suas qualidades. 

O excelente futebol do Benfica


O Benfica já jogou um excelente futebol desde que Rui Vitória chegou ao clube. Curiosamente dos melhores jogos que fizemos, nomeadamente as duas recepções ao Porto, não vencemos, mas quem não se lembra do completo massacre que fizemos no primeiro jogo ou das defesas impossíveis de Casillas em qualquer um deles? Quem não se lembra da vitória sobre o Atlético em Madrid? Da dinâmica atacante e das goleadas, sobretudo, mas não apenas, em jogos em casa (a última das quais já esta época, contra o Belenenses)?

Os títulos


No futebol, como em todos os desportos de alta competição, os resultados são a ultima ratio da avaliação do trabalho de um líder. E nesse capítulo Rui Vitória já deu provas mais do que cabais: dois campeonatos disputados - dois primeiros lugares, duas Taças - uma vitória, duas Taças da Liga - uma vitória, duas Supertaças - uma vitória, duas Ligas dos Campeões - duas qualificações, uma para os oitavos outra para os quartos de final. 

O desastre da presente época


O mais irónico de tudo isto é que a presente época até começou bem. O Benfica ganhou a Supertaça e venceu os primeiros jogos de forma convincente. No entanto a partir do momento em que se teve o primeiro deslize (Vila do Conde) tudo começou a desmoronar-se muito depressa. O que se passou em Basileia é altamente desprestigiante para o Benfica. Tememos pelo que venha a acontecer com o United. A Champions está quase perdida e no campeonato estamos em risco de descolar dos da frente, sobretudo o Porto. Ao contrário do ano passado, este ano temos adversários competentes. Ao contrário do que aconteceu há duas épocas, este ano não temos a Champions para "compensar" um mau início no campeonato. 
Este ano tudo está a correr mal, desde os resultados ao futebol praticado, à inconstância das escolhas de Rui Vitória em matéria de jogadores, às incertezas (e limitações) em termos de modelo de jogo. Rui Vitória parece mais desorientado e desanimado do que alguma vez o vi no Benfica.

O que mudou?


O que mudou é o sobretudo o que tenho assinalado em anteriores artigos: o plantel não apenas perdeu qualidade como envelheceu. Entrámos assim numa curva descendente que Vitória não tem sabido contrariar.

Pode Vitória inverter o presente estado de coisas?


A questão que se coloca aqui é se Rui Vitória chegou ao fim do seu ciclo, se esgotou a sua energia e as suas ideias. Um dos argumentos que ouço muito é o de que se acabou o "gás" que vinha ainda de JJ, que Rui Vitória não tem ideias próprias e que a memória dos "processos" (que vinha do anterior treinador) está a desaparecer.

Esta ideia é insólita. Quem a professa está a aderir por inteiro à lógica do "cérebro", aos argumentos do Ferrari e afins, que combatemos com tanta determinação há dois anos.

Será possível que se ache que uma equipa ganha dois anos em "piloto automático"? Que se preparem estratégias de jogos presentes a partir de esquemas e ideias do passado (que supostamente nem se domina)?

Defender isto é desrespeitar Rui Vitória, é ser injusto e não dar mérito a quem o tem. Vitória soube aproveitar o que tinha e tirar grande rendimento dos jogadores. Se assim não fosse os maiores clubes europeus não se teriam interessado pelos nossos jogadores e não teriam pago dezenas de milhões por eles.

Rui Vitória continua pois a ter as qualidades que tinha há dois anos. No entanto a verdade é que não está a conseguir colocá-las em prática da mesma forma. E a verdade também é que será sempre avaliado pelos resultados que produzir. Por isso a grande questão que se coloca é se Vitória irá conseguir inverter o estado de coisas. 

O futebol do Benfica não agrada. Defensivamente a equipa é uma calamidade. 

Luisão já não tem a meu ver condições para jogar a este nível. Certamente que esta dupla, com um Jardel muito debilitado relativamente há dois anos atrás, não funciona. Não se percebe porque saiu Rúben Dias da equipa. Estava a jogar bem e a compensar um pouco a falta de velocidade da nossa defesa. Há que ter a coragem de sentar Luisão ou Jardel. Depois Almeida tem muitas limitações. Há que trabalhar outras opções. O que se passa com Douglas?

No meio campo o Benfica não consegue ter controlo do jogo nem quando está a ganhar nem quando está a perder. Pizzi não pode jogar 90 minutos todos os jogos e, a manter o presente modelo, os extremos precisam de jogar de outra maneira. 


São muitas questões para Vitória resolver mas é esse o seu papel. Acima de tudo o treinador precisa de ter energia, determinação e confiança nas suas capacidades e convicções. Só assim pode liderar estes jogadores e levá-los a inverter o rumo negativo da época. Apesar das limitações do plantel (e teremos necessariamente que ir ao mercado em janeiro) há qualidade para fazer muito melhor. Continua a haver jogadores de classe nesta equipa mas tem que se lhes dar um aproveitamento diferente. Há que procurar soluções que dêem outro equilíbrio à equipa. 



Se e quando Rui Vitória deixar de ter a energia e a confiança necessárias para liderar a equipa, então será chegado o momento de dar o lugar a outro. Ainda não estamos lá. A pausa no campeonato é uma janela de oportunidade para o treinador retomar as rédeas e fazer a equipa entrar novamente nos eixos. Esperemos que a agarre.