segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Encarrilar

O que se passou na Madeira não é normal. Ninguém duvida de que um conjunto de circunstâncias tão improváveis dificilmente se alinha muitas vezes numa época.


No entanto temos que reconhecer que o que se passou em Istambul também não foi normal.


Há por isso que, sem pânico, identificar algumas das causas do que se passou nestes dois jogos e retificar. Vamos bem a tempo, embora haja pouco tempo - esta semana traz dois jogos muito importantes para o rumo da época. No caso do Nápoles o jogo pode ser decisivo - caso o Besiktas vença na Ucrânia o Benfica tem que vencer para se apurar para os oitavos de final.

Rui Vitória tem demonstrado saber lidar bem com estes momentos e aprender com o que menos bom acontece. Estou confiante de que assim será também agora. 


Em todo o caso, parece-me que há um problema na defesa. Pode ser tão somente um "problema" que resulta do sucesso, ou seja, após tantas vitórias é óbvio que o dia da derrota tem que chegar. Pode ser que uma defesa tão segura, tão competente, esteja agora a quebrar um pouco precisamente por essa carga competitiva contínua e o desgaste emocional que ela pode acarretar. Pode ser que alguns jogadores do Benfica da linha mais recuada estejam a acusar alguma descompressão pelo facto da vantagem interna ser (até anteontem) tão confortável que podia parecer que o campeonato seria uma espécie de passeio e a denotar assim falhas de concentração.



Pode ser um pouco de tudo isso mas parece-me que há algo mais. Penso que Jardel faz muita falta a esta equipa. Penso que até Lizandro podia dar outra segurança nesta fase. Luisão já fez grandes jogos, já demonstrou que recuperou da lesão e que podemos contar com ele. No entanto, apesar de toda a sua grande capacidade e liderança, penso (e posso obviamente estar enganado) que Luisão não deve ser titular consecutivamente, sobretudo nesta fase da época de grande densidade de jogos. Luisão já não tem a velocidade e elasticidade de outros tempos e a sua velocidade de recuperação é mais lenta. Nessa medida Luisão faz perfeitamente um jogo ao mais alto nível se for chamado mas se jogar semana após semana (duas vezes por semana aliás) por vezes denota desgaste.



O que se aplica por maioria de razão a Luisão aplica-se em todo o caso a todos os jogadores. Vitória tem o mérito de fixar um 11 mas por vezes parece-me que poderia promover um pouco mais de rotação (ou pelo menos substituições menos tardias no jogo). Não o fazer pode provocar uma quebra física da equipa como me parece que aconteceu em Istambul e com o Marítimo, o que se reflete depois em erros que noutras circunstâncias, com outra frescura, aconteceriam com menor frequência. Em ambas essas partidas houve múltiplos erros individuais tanto na defesa como no ataque que foram decisivos para que não os ganhássemos como deveríamos.


Mas talvez mais importante que tudo isto há que tirar daqui uma lição muito importante. Uma lição que eu esperava que pudesse ter sido aprendida em Istambul, onde "conseguimos" desperdiçar uma vantagem de 3 golos e a qualificação imediata para a fase seguinte da Liga dos Campeões, mas que pelos vistos exigiu novo desaire. Espero que agora esteja bem compreendida.

E a lição é esta: nada está ganho! Nada está ganho em dezembro e nenhum jogo está ganho à partida, nem sequer ao intervalo ainda que tenhamos uma vantagem que parece insuperável. A questão é que os níveis de concentração e motivação nunca podem ser abrandados. (Esta é aliás uma das razões pelas quais preconizo um pouco mais de rotação).


A meu ver isso foi esquecido em Istambul, onde houve alguma complacência após o 3-0 e alguma falta de concentração e calma a partir do momento em que os turcos marcaram o primeiro golo, e foi de algum modo esquecido na Madeira com uma entrada pouco firme no jogo. 


Claro que houve factores estranhos em ambas as partidas. No caso do Marítimo, a arbitragem de Vasco Santos é de compêndio - compêndio do que não se deve fazer-, com um perdão evidente - e consciente - quer de cartões amarelos quer de penalties em desfavor do Marítimo. O penalty sobre Nélson Semedo é descarado e indiscutível, impossível de não se ver. A rábula das perdas de tempo ultrapassou o tolerável, assim como o nível de violência das entradas dos maritimistas, tudo perante a complacência completa do Sr. Vasco Santos.


No entanto estamos sempre sujeitos a artistas destes. Não é neles que depositamos a nossa confiança - pelo contrário - mas sim nos nossos jogadores e treinadores. Eles dá deram muitas provas da sua fibra e não são dois desaires que nos devem levar a descrer. Certamente que há lições a serem tiradas mas até nisso eles já demonstraram competência e humildade para as aprender.



Estou por isso confiante de que amanhã e depois contra o Sporting voltaremos a encarrilar. 



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Parecia impossível... Tricampeões!!!

Se a história não apenas desta esta época fosse um enredo de ficção poderíamos considera-lo exagerado ou implausível.
 
Tudo começou com o "roubo" de Jorge Jesus, algo que pareceu quase surreal.
 
No Benfica era normal a apreensão: antes de Jorge Jesus existia apenas o título de Trapattoni entre o presente e o abismo aberto por Artur Jorge e consumado nos anos de Vale e Azevedo. Temia-se uma nova seca de títulos e o rápido encerrar de um ciclo vitorioso mal este se iniciara.
 
Tudo se parecia encaminhar para um ano de conquistas em Alvalade e um ano de depressão no Benfica. O "atraso" no anúncio de Rui Vitória e o pouco entusiasmo que o seu nome motivava - uma espécie de anti-JJ em termos de personalidade e carisma - contribuiu para mais incerteza e alguma divisão, com alguns adeptos, em que me incluí, a desejarem que a escolha recaísse antes sobre Marco Silva (escorraçado do Sporting depois de um bom trabalho que culminara na conquista de uma Taça de Portugal).

Na pré-época acumulámos derrota após derrota e não se vislumbrava organização na equipa nem ideias claras. A Supertaça alimentou a euforia veraneante dos sportinguistas e gerou sérias dúvidas entre os benfiquistas acerca das capacidades de Rui Vitória em conduzir o navio benfiquista: não tanto pela derrota mas pela sua aparente cedência aos mind games de JJ. A sua frase de que os jogadores do Benfica tinham entrado em campo com "receio" não foi feliz.

A "estratégia de comunicação" (como agora se diz) do Benfica não era a melhor, pois continuava a referir-se quase diariamente a JJ, ora queixando-se de que ele "traíra" o Benfica, ora afirmando que afinal fora o Benfica que optara por seguir outro rumo estratégico de aposta na formação.
 
O campeonato até começou bem, com uma vitória na Luz de goleada sobre o Estoril, mas logo na primeira deslocação veio a primeira derrota. E percebia-se que as coisas não estavam bem. À 5ª jornada veio a segunda derrota do campeonato (e terceira da época). À 8ª jornada veio o descalabro, com a derrota em casa por 0-3 com o Sporting. O Benfica ficava a 8 pontos do Sporting (com um jogo em atraso que viríamos a empatar) e a 6 do Porto. Estávamos em outubro.

Menos de um mês depois éramos eliminados da Taça perdendo mais uma vez com o Sporting, embora desta vez tenhamos pela primeira vez estado em vantagem (com um golo de Mitroglou a abrir), num jogo com casos de arbitragem em nosso desfavor.
 
Nessa altura poucos acreditariam no tri, não apenas pelos resultados e a desvantagem pontual mas pela manifesta incapacidade da equipa em se bater com os principais opositores. Mesmo os que haviam defendido a contratação de Rui Vitória  já mesmo no tempo de JJ, consideravam agora que o treinador do Benfica não tinha condições para ficar. A sua permanência parecia por um fio.

Houve alguns factores que permitiram porém que a estabilidade se tivesse mantido e que o campeonato tivesse tido este desfecho. Em primeiro lugar, a boa campanha na Liga dos Campeões e o lançamento de jovens como Nélson ou Gonçalo Guedes (na altura Renato ainda não entrara na equipa) foi importante porque mostrou que havia trabalho, apesar de internamente os resultados estarem a ser maus. O segundo foi a vitória em Braga, dias após a eliminação da Taça. Era um teste de fogo ao qual a equipa sobreviveu. O terceiro e mais central de todos foi o apoio inequívoco de Luis Filipe Vieira ao treinador, deixando claro que o mesmo continuaria acontecesse o que acontecesse e ao mesmo tempo retirando pressão com a célebre expressão das "dores de crescimento". Foram duas entrevistas dadas pelo presidente em momentos difíceis que me parece que foram cirúrgicas, para além da presença na primeira fila nos momentos mais difíceis.

O presidente demonstrou visão, da mesma forma que os adeptos demonstraram paixão e crença. Os cânticos aquando do 0-3 na Luz foram efectivamente importantes, tal como a crença que o cântico "dá-me o 35" sempre manteve viva. Faço aliás mea culpa por não ter apreciado devidamente aquele momento aquando da recepção ao Sporting. Admito que estava demasiado irritado com as derrotas com o Sporting, o que me impediu de ver o que a maioria logo reconheceu. Essa reacção deu o mote para o que viria a ser época, embora outras coisas estivessem ainda para acontecer.
 
 A verdade é que o Benfica continuava a jogar pouco e a não ter solidez no seu jogo.  Mas o momento de união total viria a 6 de janeiro, dois anos após a morte de Eusébio. JJ lembrou-se de dizer que não qualificava como treinador. A partir daí todos nos unimos e foi muito simples: exceptuando o jogo com o Porto, vencemos todos os jogos até ao fim, muitos de goleada, com enormes exibições e futebol espectacular nuns casos e muita entrega, sacrifício e crença noutros. Rapidamente ultrapassámos o Porto (que pouco antes tinha uma vantagem de 5 pontos sobre nós) e após o jogo de Alvalade - aquele que verdadeiramente foi decisivo - passámos para a liderança para não mais a perder.

E assim conquistámos o campeonato e nos sagrámos TRICAMPEÕES.



Parecia impossível. Poucos acreditavam. Mas a partir de dada altura, dados os ataques infundados e as calúnias constantes, tornou-se uma questão de honra conquistar este campeonato.

Este campeonato foi uma lição, uma enorme lição.

Rui Vitória, de quem quase todos desconfiámos a dada altura, que porém nunca se desconjuntou, que todos passámos a apoiar a partir do momento em que foi infamemente atacado e desconsiderado, mostrou uma liderança extraordinária: firme, tranquila e sempre focada nos objectivos. Nunca abdicou de nenhuma competição e sempre compreendeu a responsabilidade de ser treinador do Benfica. Isto para além de ter mantido uma postura de cavalheiro ao longo dos mais difíceis e conturbados momentos. O prémio que alcançou é de absoluta justiça e totalmente inquestionável. Sem o apoio do presidente tal teria sido impossível, pelo que o mérito da liderança deste merece igualmente ser destacado.



Este campeonato tem uma história incrível e entra directamente para os momentos importantes do palmarés do clube e da vivência benfiquista. Os meus sinceros parabéns a todos os seus fautores. Obrigado por esta enorme alegria.

 
 
 

 
 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O "roubo" explicado

As televisões continuam a dizer que Luis Filipe Vieira apelidou uma arbitragem de "roubo". As declarações em causa aconteceram em Dezembro do ano passado, após um jogo no Estádio da Luz.

Cada vez que o ouço irrito-me porque não foi isso que aconteceu. É uma falsidade que inclusivamente já fez com que LFV  tenha sido castigado pela Liga - certamente para tentar justificar o injustificável e criar a imagem de que o ruído e insinuações do presidente do Sporting e seus acólitos eram afinal replicadas no lado do Benfica.
 
Ora o que realmente aconteceu foi que Luis Filipe Vieira, após um jogo que o Benfica ganhou mas no qual foi claramente prejudicado, disse que estava curioso para ver se no dia seguinte as páginas dos jornais falariam em roubo.
 
E o contexto disto é claro e conhecido de quem acompanha minimamente o fenómeno desportivo neste país: uns meses antes, quando o Sporting foi prejudicado na Alemanha com um penalty contra por uma mão inexistente (a bola bateu na cabeça do jogador), tanto "A Bola" quanto o "Record" escreveram em manchete as palavras "roubo" e "roubado". Ora quando o Benfica perdeu uma final da Liga Europa contra o Sevilha, após o árbitro não ter assinalado três grandes penalidades contra os espanhóis, esses mesmos jornais nada referiram de "roubos".
 
Luis Filipe Vieira não afirmou portanto que o Benfica tinha sido "roubado" mas apenas manifestou curiosidade por ver como é que o jogo seria retratado na imprensa no dia seguinte.
 
É só isso. Mas claro que é preciso lançar a confusão e criar este "folclório" para justificar o comportamento reprovável dos dirigentes (e treinador) do Sporting ao longo de toda a época. A pressão que têm feito e as acusações constantes antes e depois dos jogos.

Seja como fôr, nada nos desviará da concentração que mantemos nos nossos objectivos. Fica apenas esta nota porque de facto a desonestidade deve ser desmascarada e infelizmente nem na BTV vi esta falácia da "acusação de roubo" ser desmascarada.


PS - a estória do "roubo" é aliás semelhante à acusação de que Luis Filipe Vieira teria dito que queria ter lugares na Liga e não contratar jogadores. Isto é o cúmulo da desonestidade: LFV disse que não valia a pena ter grandes jogadores quando as coisas não se decidiam em campo. Nessa medida  interessava mais ter gente na Liga do que jogadores em campo. Ou seja, LFV estava a criticar este estado de coisas, estava a denunciar este "sistema" que na altura estava bem vivo e não a fazer a apologia daquele modo de fazer as coisas, como os seus detractores, por ignorância ou desonestidade, querem fazer crer.  

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vitória moralizadora e mais uma final

Como eu esperava, os jogadores libertaram-se um pouco da pressão das jornadas consecutivas a ter que ganhar e conseguiram uma exibição muito melhor e melhor produção atacante, em relação aos últimos jogos. Claro que houve muitas alterações no 11 - como tinha que ser - mas mesmo os que têm jogado mais me pareceram mais leves, mais libertos.

Tenho expectativa e confiança de que esta vitória nos dê o suplemento anímico que nos permita ir à Madeira, fazer um grande jogo e ganhar convincentemente.
 
Da noite desta segunda-feira ressaltam ainda um conjunto de boas exibições que dão garantias a Rui Vitória de que pode contar com estes jogadores. Antes de mais, como é óbvio, regista-se, saúda-se e felicita-se o regresso de Luisão, o grande campeão - e capitão - que aliás fez uma excelente exibição. Depois destaco Samaris que foi irrepreensível, apesar de um ou outro passe falhado na pior fase da equipa, e enorme a sair com a bola. Também gostei muito de Grimaldo, Carcela (belíssimas jogadas e uma assistência de antologia - depois, aliás, de um passe de rotura de Samaris para o belga-marroquino) e até de Sílvio que me surpreendeu pela capacidade físico-atlética, para além do habitual rigor defensivo. Lindelof e Raúl Jimenez estiveram no patamar de excelência a que nos têm habituado. Sálvio está à procura da melhor forma mas já teve alguns apontamentos positivos, especialmente nos poucos minutos em que jogou na segunda parte. Ederson esteve seguro e Renato alternou o bom com o mau, assim como Talisca que no apoio a Raúl não rendeu mas no meio campo esteve bem. Fedja não teve tempo para se mostrar. Jonas já dispensa considerandos.
 
Em suma, ganhámos mais ânimo, estamos em mais uma final e sinto que este pode ser o momento para a equipa se libertar da pressão e voltar a apresentar o seu futebol fluido e demolidor no ataque. Tal como a seguir ao jogo do Bayern temi que a equipa se pudesse ressentir, sinto que agora ela vai voltar a crescer. Para além disso, Luisão, Samaris, Carcela e Raúl mostraram que estão prontos para entrar em campo na Madeira caso Rui Vitória conte com eles.

domingo, 1 de maio de 2016

A integridade da competição está em causa

Não tenho alinhado muito pelo discurso das "malas", porque não tenho dados objectivos para afirmar ou negar seja o que fôr e porque tenho preferido escrever sobre o Benfica e coisas positivas.

Mas atenção: há limites. Não nos façam de parvos.
 
O Marítimo "poupou" hoje 6 jogadores contra o Estoril, jogadores que estariam em risco de exclusão caso vissem o amarelo na partida.
 
Penso que alguém terá que começar a explicar o que se está a passar.

sábado, 30 de abril de 2016

Muito nervosismo

Vitória justa mas tensa

 
O Benfica venceu bem mas com muitos nervos e correndo os riscos inerentes a uma vantagem mínima (no resultado como na classificação). Apesar do domínio quase completo do Benfica, de facto o Vitória de Guimarães teve duas oportunidades claras para marcar, uma delas perto dos 80 minutos (e que devia, note-se, ter resultado na expulsão do avançado Hurtado que colocou em risco a integridade física de Ederson). Felizmente nos últimos minutos, com as entradas de Jimenez e Samaris, o Benfica voltou a controlar o jogo e já não tivemos mais sobressaltos.

Mas recuemos ao início. O Benfica não entrou bem no jogo. É verdade que nesta altura a equipa procura com paciência o modo pelo qual poderá entrar nas defesas adversárias, ao invés de se lançar num ataque desenfreado que a desgaste desnecessariamente. No entanto nesse período o Benfica jogou demasiado lento, pouco pressionante, assim permitindo ao adversário estar muito confortável no jogo. Não é correcto, do meu ponto de vista, acusar o Guimarães de anti-jogo. Na verdade na primeira parte por duas vezes jogadores do Benfica precisaram de assistência: Pizzi e Jardel, no que foram as principais paragens no jogo. Quanto à lesão de Hurtado (o tal que mais tarde deveria ter sido expulso) ela foi legítima e real, pois Eliseu teve uma entrada demasiado impetuosa e atingiu o adversário na cabeça (na BTV viram-se bem os efeitos dessa entrada).
 
Havia demasiada tensão e nervosismo. Não sei se houve "mala" ou não, como agora se diz. Penso que é normal uma equipa jogar pelo seu orgulho e honra e procurar o melhor resultado possível. Mas a tensão normal do Benfica por querer e precisar de vencer o jogo foi alargada aos jogadores do Guimarães pela postura do árbitro que me parece que mostrou demasiados cartões e não foi capaz de controlar o jogo, tendo depois expulsado o treinador do Guimarães sem que se tivesse percebido bem porquê (e depois de ambos se terem abraçado efusivamente antes do início do jogo). O que já considero menos normal é a reacção dos jogadores do Guimarães no final do jogo: o que é que eles queriam? Qual foi o problema?
 
 

Há cansaço na equipa

 
Mas existem a meu ver outra razão para o nervosismo, no que diz respeito ao Benfica: o cansaço. Há vários dos nossos jogadores que estão pesados, que denotam um atraso na sua reacção aos lances (sobretudo se param um pique já não são capazes de arrancar novamente) e que por essa razão estão a tomar algumas decisões erradas. Isto reflecte-se na dinâmica geral da equipa. Pizzi e Jonas são para mim os casos mais evidentes mas Renato, Gaitan e Mitroglou denotam algum cansaço. Veja-se por exemplo a ligeireza e leveza nas pernas de Jimenez quando comparado com Mitroglou: tudo sai mais fluído e tudo parece mais fácil ao mexicano.
 
Na segunda parte as coisas correram melhor: vencida a inércia dos primeiros 45 minutos, os jogadores entraram bem e conseguiram logo o golo. Depois disso o resumo dos acontecimentos passa muito por aquilo que já referi no início do post.

A alegria pela vitória foi muita e compreensível. Mas atenção, ainda não há nada para celebrar.
 
 

O clássico desta noite

 
A minha previsão para esta noite, que espero possa ser errada, é a de que o Sporting vai vencer o jogo. E isso relançará o campeonato pois o Benfica tem um jogo difícil na Madeira para a semana: o Marítimo é um clube imprevisível, capaz do melhor e do pior.
 
Considero mais provável o Sporting ganhar pela razão de que o Porto está em "pré-época" e porque considero que José Peseiro é um treinador que não consegue que as suas equipas tenham equilíbrio e consistência. Consequentemente, as equipas de Peseiro são muito vulneráveis defensivamente. Atendendo a que o ataque do Porto também não é particularmente concretizador, prevejo uma vitória do Sporting que, caso as coisas lhes corram de feição, poderá até ser fácil e simples. Não se percebe que Peseiro já vários meses depois de chegar ao clube ainda ande em experiências e não tenha um 11 base minimamente definido. Isso não dá rotinas nem qualquer estabilidade. As declarações de Pinto da Costa ainda agravaram mais o estado de instabilidade.

Prevejo uma entrada em jogo muito forte do Sporting, a procurar dominar o seu adversário e chegar ao golo. Se o conseguir, o Porto terá depois uma reacção e procurará lutar pela sua honra e prestígio. Não tenho dúvidas de que alguns dos seus jogadores darão tudo para mudar o estado de coisas. No entanto isto também abrirá espaços na defesa que o Sporting poderá aproveitar, jogando directo para Slimani.
 
Veremos o que acontece. Como é evidente espero estar enganado e que as coisas não corram nada assim: que o Sporting entre mal em campo, pressionado pelo atraso na classificação e nervoso em virtude da obrigatoriedade em ganhar. Que esteja nervoso e comece a falhar passes, que o Porto, não tendo nada a perder, esteja tranquilo que consiga desenvolver as suas qualidades e que os jogadores de qualidade que tem possam resolver. Não tenho dúvidas de que caso o Sporting se veja a perder, o desespero possa tomar conta dos seus jogadores. A ver vamos, como dizia o outro.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Concentração absoluta

Enfrentamos esta sexta-feira mais uma autêntica final.
Há muito que o Benfica, tendo partido atrasado em relação aos outros concorrentes, vem jogando nos limites, sabendo que apenas ganhando conseguiria manter-se na corrida, numa primeira fase, e na liderança, neste momento. A equipa tem vindo a saber superar os vários desafios que se lhe têm apresentado, exibindo grande capacidade e confiança.
Amanhã será mais uma etapa. É apenas isso. Nem mais, nem menos.
O clássico Porto-Sporting não conta para nada amanhã. Seremos nós contra o Vitória de Guimarães, com o Estádio a "jogar connosco" como Rui Vitória vem dizendo e bem.
Confio inteiramente nesta equipa, todos os jogadores do plantel aqui incluídos e, obviamente, no seu timoneiro. 
Não há aqui questões de clássicos, não há aqui questões de marcar muitos ou poucos golos, cedo ou tarde, de botas de ouro ou quaisquer outras acessórias. Não há aqui questões de o Guimarães estar há muitos ou poucos jogos sem ganhar, ter ou não pressão ir ou não fazer mais do que tem feito nos anteriores jogos.  Não pode haver da parte do público quaisquer impaciências ou exigências irrealistas e menos ainda "embirrações". Sim, estou a falar de Eliseu e Pizzi, jogadores que têm dado imenso ao Benfica neste ano e que têm uma quota parte muito grande no que de tão bom a equipa vem fazendo esta época.
Quando o apito inicial soar, há apenas uma necessidade de vencer um jogo.
Concentração absoluta é o que se precisa. Sabemos que contra o Benfica todos se motivam e todos dão tudo. Os nossos jogadores precisam por isso de estar ao seu nível máximo. É isso que estou seguro que acontecerá.

Viva o Benfica!