quarta-feira, 18 de abril de 2018

Benfica-Porto - as derrotas têm causas

Já escrevi sobre a enorme desilusão que este jogo foi e também sobre a tendência - que não é de hoje - de perder com o Porto. O Benfica neste momento ganha um jogo ao Porto em cada 10 disputados. Se não acreditam vejam por vocês mesmos:

Do site zerozero.com.
Olhando para os últimos 40 jogos a estatística "melhora" um bocadinho, indicando que ganhamos um jogo a cada quatro, mas se nos limitarmos ao campeonato ela volta a piorar: 7 vitórias em 20 épocas e 40 jogos.

Mas se é verdade que há realidades que estão para lá de cada jogo particular e que se verificam nas tendências a longo prazo, claro que cada jogo tem a sua história e merece a sua análise própria.

Nesse particular destaco as seguintes ideias:


  • os sinais pré-jogo não foram bons. Jonas nem no banco estava, ao passo que Marega seria titular. A lesão (que ainda não percebi) do melhor e mais decisivo jogador do Benfica veio na pior altura possível. Marega não sendo um jogador da classe de Jonas, é o mais decisivo do Porto (as duas derrotas que esta equipa sofreu e nos permitiram chegar à liderança aconteceram quando o maliano esteve lesionado).
  • o jogo foi pobre, com muitas cautelas por parte de ambas as equipas e poucas oportunidades de golo. 
  • a primeira parte foi do Benfica, perante um Porto expectante e a melhor oportunidade pertenceu-nos. Era lance para golo mas Pizzi não conseguiu rematar bem. Rafa desequilibrou e foi parado em falta demasiadas vezes, perante alguma permissividade de Artur Soares Dias. No entanto, apesar de mais encolhido, o Porto tinha capacidade de criar perigo nas saídas, graças à técnica de Brahimi e à capacidade física dos seus avançados. Soares e Marega visaram a nossa baliza com perigo.
  • na segunda parte o Porto subiu linhas e o Benfica recuou, parecendo receoso ou fisicamente mais desgastado. O Porto teve mais posse de bola e começou a criar perigo perante a nossa completa inoperância na frente. Varela salvou uma bola de golo quando Marega lhe apareceu isolado pela frente e Brahimi quase fez golo num remate em arco ao segundo poste. O Benfica não criou nenhuma ocasião nem fez qualquer remate à baliza nesta fase.
  • as substituições pioraram a nossa equipa: a saída de Rafa foi fatal, porque o pequeno extremo era o único que desequilibrava e a entrada de Samaris tornou-nos ainda mais defensivos. Seferovic entrou mas nada acrescentou.
  • o golo surgiu ao cair do pano praticamente inviabilizando qualquer reação. Claro que o empate se aceitaria, mas a vitória calhou à equipa que mais a procurou, pelo que não se pode falar em injustiça. O Benfica colocou-se a jeito para o que aconteceu.


Uma nota final para dizer o seguinte: ao contrário do que se tem dito, os plantéis de Benfica e Porto são bastante equivalentes. A ilusão de que teríamos muito melhor plantel deve-se ao facto do Porto não ter feito contratações esta época. No entanto, ao contrário do Benfica, também não vendeu e ainda recuperou jogadores "proscritos" como Aboubakar, Marega e Ricardo. Os laterais do Porto são melhores do que os do Benfica e os centrais são equivalentes. Brahimi foi sempre um quebra cabeças para a nossa equipa, ao passo que os dois avançados nos colocaram sempre muitos problemas. Com Pizzi a praticamente não acertar uma, Zivko e Cervi pouco inspirados e Jimenez muito só na frente, apenas Rafa a desequilibrar é pouco, não chega para este nível de exigência. Mas para perceber a questão dos plantéis, olhe-se para os bancos:


PS - não nos podemos desculpar com o árbitro. ASD podia e devia ter sido mais firme na primeira parte a penalizar o constante jogo faltoso do Porto. No entanto nos dois principais lances de que alguns se queixam, o árbitro decidiu bem. No lance da possível expulsão de Sérgio Oliveira a falta é de Filipe Vale Tudo. Quando Sérgio mete o braço já Rafa foi parado ilegalmente pelo brasileiro (que devia ter levado cartão - mas que seria o primeiro e portanto também não daria expulsão). No lance do possível penalty, não me parece haver falta. Há um contacto normal, do qual resulta a queda do nosso jogador mas não há agarrão, empurrão ou rasteira. Seria demasiado forçado marcar penalty num lance daqueles. Soares Dias já nos prejudicou muitas vezes e assinalei-o neste blog com toda a veemência mas neste caso não pode servir de desculpa para não termos feito o que devíamos que era ganhar o jogo. O Benfica simplesmente não foi competente.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Benfica-Porto - histórico das últimas décadas

30 anos, 8 vitórias


Como assinalei no anterior post e vários blogs referem hoje, os números do Benfica contra o Porto nos últimos 30 anos são atrozes.

Em 30 épocas, contando apenas os jogos disputados para o campeonato no Estádio da Luz, o Benfica alcançou o paupérrimo pecúlio de 8 vitórias, o que dá uma media de vitórias de 26,6%. Ou seja, precisamos quase de 4 jogos para ganhar um. Nesse mesmo período perdemos 9 vezes. Ou seja, perdemos mais jogos em casa do que os que ganhámos. 

Últimas 17 épocas


Mas se pensam que este registo tem sobretudo a ver com os infames anos 90 e que nas épocas recentes as coisas têm melhorado, desenganem-se. Recuando até à época 2001-2002, ano em que Luís Filipe Vieira assume o lugar de diretor desportivo (maio de 2001), o registo torna-se ainda mais negativo, sendo mesmo o pior de sempre: três - TRÊS - vitórias, seis empates e sete - SETE - derrotas!! Ou seja, o Benfica precisa de mais de 5 jogos para conseguir ganhar um ao Porto em casa...  Durante o período de Luís Filipe Vieira no Benfica o Porto tem mais do dobro de vitórias do que o Benfica na Luz! Isto não é aceitável.

O período entre 1994 e 2000


Curiosamente, o período entre 1994 e 2000 foi, neste passado de 30 anos, o melhor. Nessa fase o Benfica conseguiu 5 vitórias e concedeu apenas dois empates e uma derrota. Digo curiosamente porque, como se sabe, esse não foi um período famoso para o futebol do Benfica: fomos campeões apenas uma vez (precisamente em 94 e o Porto depois disso alcançou o penta).   

O presente e a necessidade de mudar


À data de hoje (17 de abril de 2018), passaram 1556 dias desde que o Benfica venceu o Porto na Luz para o campeonato. Temos uma - uma (!!) - vitória nos últimos 8 anos. Estes números gritantemente negativos têm que começar a ser invertidos muito rapidamente. Como? Mudando-se mentalidades.

Até à época de 1984/85, ou seja nos primeiros 50 anos de campeonato nacional, o Porto tinha apenas 6 vitórias no Estádio da Luz. Esta equipa entrava praticamente derrotada no nosso Estádio. Se não sofresse uma goleada já não era muito mau. Dir-se-á que isso eram outros tempos e que no futebol moderno o factor casa já não é tão decisivo. Mas se assim fosse o registo inverso - o do Benfica no estádio do Porto - não seria tão mau. Ora nós nos últimos 40 anos vencemos ali ...  três vezes. Parece mentira mas é verdade. 

Ou seja, tudo é uma questão de mentalidade. O Porto encontrou a partir dos anos 80 uma motivação e uma confiança que lhe permitiu (a partir da referida época 84/85) vencer  na Luz por 10 vezes e perder apenas por 9. Ou seja, considerando que o empate na casa de um rival e competidor direto é um resultado positivo, o Porto tem saído da Luz quase sempre (praticamente 3 em 4 vezes) satisfeito. Isto é desastroso para o Benfica. 

Precisamos portanto (para além de equipas competitivas, que temos tido) de uma mudança de mentalidade. Que isso é possível está plenamente demonstrado nos parágrafos atrás. E recordo como Octávio conseguiu, ao serviço do Sporting, impor ao Porto derrotas na maioria dos confrontos diretos. 

Atendendo a que a tendência nos jogos contra o Porto se tem tornado ainda mais negativa desde que Luís Filipe Vieira chegou ao Benfica, apesar da clara melhoria dos resultados globais do futebol, a reflexão terá também que passar por aí. Algo não estará a funcionar na mensagem. Se num, em dois, em três ou mesmo em quatro confrontos diretos se pode falar em sorte e azar, em 17 anos essa argumentação não colhe. Algo não está a ser feito ou está a ser feito erradamente.

Os adeptos merecem outros resultados contra o principal rival dos últimos anos. Se o campeonato é sempre o objetivo número um de uma época, os confrontos diretos entre os candidatos, clássicos e dérbis, são os momentos altos para os adeptos, para além de poderem determinar o curso da época por razões motivacionais ou mesmo decidir campeonatos, como muito provavelmente aconteceu no passado domingo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Enorme desilusão

Custa a crer que o Benfica tenha deitado pelo cano abaixo todo o extraordinário trabalho de recuperação que fizera e que perca desta forma o campeonato em casa quando tinha tudo para o ganhar.

É verdade que somos tetra campeões e que temos dominado o futebol português nos últimos anos. Mas continua a meu ver a faltar instinto vencedor em determinados momentos chave para assumir realmente a hegemonia e vencer de forma categórica. 

Com o Porto então é uma autêntica vergonha: não conseguimos vencer praticamente um jogo. Nos últimos três anos temos um empate e duas derrotas na Luz. Mas isto admite-se?? Uma equipa que é, repito, tetra campeã não é capaz sequer de uma vitória para amostra?
Algo está a falhar e não são certamente os adeptos que hoje voltaram a encher a Luz e durante quase todo o jogo empurraram a equipa para a frente.

Outra coisa a merecer séria reflexão é a excessiva dependência de Jonas. A "culpa" não é obviamente do nosso melhor jogador e é até compreensível que se note a sua ausência. O problema é que parece que não sabemos jogar sem ele, tornando-nos numa equipa pouco acutilante e pouco esclarecida. Em Setúbal foi o que se viu (um jogo miserável ganho com sorte) e contra o Porto fizemos um remate à baliza digno desse nome durante todo o jogo.

A derrota significa o adeus ao penta praticamente certo. E só nos podemos queixar de nós próprios: com a derrota do Porto no Restelo tínhamos tudo para renovar o título: ao receber o Porto em primeiro lugar tudo estava a nosso favor.

Este Porto é aliás, neste momento, uma equipa quase banal e a prova disso foi a primeira parte que (não) fez.

O Benfica perde por culpa própria mas Rui Vitória é claramente o principal responsável. Não esteve de modo nenhum nos seus dias: a cada substituição a equipa se tornou mais insegura e inconsequente. Dos que entraram apenas Sálvio foi capaz de acrescentar mas considerando que para isso saiu o nosso jogador mais perigoso, mesmo aí ficámos a perder.
A entrada de Samaris deu evidentemente o sinal errado, algo que todos perceberam.

A confirmação de que perdemos o campeonato, principal objetivo da época, tem que levar a uma reflexão muito séria.
Eu sei que somos tetra e que não é possível ganhar todos os anos. A questão é porém mais ampla: por um lado fizemos uma triste figura nas restantes competições, com a Champions a ser calamitosa; por outro, tínhamos condições este ano muito favoráveis para conquistar o penta. Basta lembrar que o Porto está sob as restrições da UEFA relativas ao Fair Play financeiro e praticamente não contratou ninguém, ao passo que o Sporting é liderado por um louco.
A terminar deixo um facto para reflexão: este é o primeiro ano em quase uma década em que assumimos o 4-3-3 como modelo de jogo e será com toda a probabilidade o primeiro campeonato perdido nos últimos 5. Não é evidentemente uma relação de causa efeito, mas ontem por exemplo foi óbvio que Jiménez esteve demasiado só e que o adversário tinha mais poder de fogo na frente apesar do nosso maior caudal de jogo.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Jornada perfeita

O que mais podíamos pedir desta jornada? Nada. Vitória sobre o Guimarães na Luz, mais dois golos de Jonas, derrotas dos nossos adversários, passagem para o primeiro lugar em consequência.
Talvez nem nos nossos melhores sonhos imaginássemos um cenário destes.
Claro que nada está ganho, mas neste momento estamos na frente do campeonato - pela primeira vez - isso é factual.
O Benfica precisa agora de continuar a fazer o seu trabalho, isto é vencer. Se o Benfica vencer os próximos dois jogos ficará com uma vantagem de 4 pontos sobre o segundo classificado a 4 jornadas do fim. Ou seja, ficará com o Penta na mão.
Vamos a isso. Em primeiro lugar, Setúbal. Esse é o próximo jogo, esse é, por agora, o jogo fundamental, por esta razão: vencendo em Setúbal, o Benfica sabe que receberá o Porto na Luz à frente do campeonato. E sabe que uma vitória o deixará praticamente campeão.
Em Setúbal pois será necessária competência e concentração máxima. É um jogo tradicionalmente difícil para o Benfica e é indiscutível que o Setúbal é uma equipa galharda que dá o que tem em campo.

Quanto ao jogo desta noite, claro que a minha alegria foi enorme, não apenas pela passagem para a liderança e pela derrota do Porto, como também pela vitória do Belenenenses, o meu segundo clube, pelo qual tenho enorme carinho.

Foi pois uma noite de alegria e festejo. No entanto não posso deixar passar em claro que ficaram dois cartões vermelhos por mostrar a jogadores do Porto e manifestar indignação pelo facto de aparentemente apenas Samaris poder ser castigado na Liga Portuguesa. Soares primeiro com uma chapada no queixo e Paciência mais tarde com um murro (num lance corrido já depois dos 90) agrediram Yebda. Além disso Brahimi empurrou ostensivamente três vezes um jogador do Belenenses que ia ser substituído, num comportamento anti-desportivo (perante a passividade de Hugo Miguel), mais tarde fez uma entrada para "alaranjado" (punida pelo árbitro com cartão amarelo) e, não contente, ainda andou a discutir e provocar os jogadores do Belenenses. Enfim, nada a que não estejamos habituados quando o Porto perde. Que continuem assim, é bom sinal.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Liga e FPF aprovam ordinarice de Bruno

Foi muito triste que os presidentes da Liga e da Federação tenham ido ao ridículo congresso que o Sporting organizou para aparecer na fotografia e se manter relevante.

Não se percebe como os responsáveis pelas duas principais instituições administrativas do futebol português tenham aceitado legitimar e dar cobertura institucional a um dirigente inconsciente, que ultrapassa todos os limites da decência, para quem tudo vale e que dia após dia insiste em baixar o nível do seu discurso para patamares até então considerados inconcebíveis.

Marco Ferreira não podia faltar.

Incendiário e grosseiro, o presidente do Sporting não hesitou, nesse mesmo congresso (pomposamente chamado "The future of football"), em atirar farpas aos seus parceiros de competição e, perante representantes estrangeiros, denegrir a imagem do futebol português.

Os discursos de Proença e Gomes roçariam o ridículo se não fossem graves: atribuir méritos por contribuir para a reflexão das grandes questões do futebol a alguém que mais não faz do que lançar lama sobre a competição e permanentes atoardas aos seus adversários é uma piada de muito mau gosto.

Uma das pérolas.

Os representantes das ligas alemã e norte-americana devem ter ficado embasbacados.

Poucos dias depois o presidente do Sporting está de volta ao que faz melhor: insultar os seus adversários no Facebook.

"És um labrego...". Comentários para quê?

domingo, 18 de março de 2018

Uma estranha convocatória

Fernando Santos conseguiu algo que de certa forma julgávamos já impossível, após tantas desilusões, desde 84 a 2004, desde 66 a 2006, fazendo de uma seleção que estava longe de ser a nossa melhor de sempre campeã europeia.

Tem por isso a minha gratidão e profundo reconhecimento. Com ou sem empates, com ou sem penalties (e quantas vezes havíamos perdido no passado de forma injusta e frustrante), a verdade é que ganhámos, ainda por cima batendo os anfitriões franceses. Escrito num guião de um filme acharíamos pouco credível mas aconteceu mesmo. Estaria, porventura, escrito nas estrelas ou noutro livro ou linguagem desconhecida dos meros humanos que apenas assistem aos acontecimentos do quotidiano sem vislubrarem causas de outra e superior ordem.

Dito isto - porque é de elementar justiça fazer tal reconhecimento - a presente convocatória é um pouco estranha. Se a chamada de Rúben Dias é indiscutível (o problema de Portugal é mesmo não haver outros centrais jovens a aparecer) já as ausências de André Almeida e Pizzi levantam muitas questões. O que mais precisará de fazer o lateral benfiquista para merecer ser convocado? E relativamente a Pizzi, não será estranho que o melhor jogador da Liga na época passada não faça parte dos planos do selecionador?

Sem desprimor para os jogadores em causa, mas estabelecendo as necessárias comparações, porque é disso que se trata quando se escolhe uns em detrimento de outros, será que Cédric, militando numa equipa que está na zona de descida da premier league, ou Coentrão (visto que André também pode jogar na esquerda), carregado de problemas físicos, estão a fazer épocas melhores do que o nosso lateral?

Depois temos o caso de Pizzi. Será que Adrien, parado metade da época e pouco utilizado desde então, dá mais garantias do que o nosso centro-campista? E se o argumento é um lugar conquistado na seleção não apenas no passado recente mas nos últimos anos, então a chamada de Bruno Fernandes em detrimento de Pizzi é inaceitável. Para Fernando Santos, João Mário, com uma época atroz, para esquecer, Rúben Neves, que milita na segunda divisão de Inglaterra, Adrien, que mal joga, André Gomes, a cabo com problemas psicológicos, Manuel Fernandes, que há anos joga na Rússia e não participa das convocatórias, Bruno Fernandes, a dar os primeiros passos a este nível e João Moutinho, em fim de carreira, todos merecem a convocatória, ao contrário de Pizzi, que é "apenas" o melhor jogador da Liga passada, titular e peça nuclear do tetracampeão, em busca do Penta.

De um ponto de vista estritamente clubista isto até é positivo para o Benfica. Os jogadores não se desgastam e podem preparar a recta final do campeonato e as 7 vitórias de que necessitamos para garantir o Penta. No entanto do ponto de vista dos jogadores imagino que seja uma desilusão. Acima de tudo é algo de muito injusto e que pode prejudicar a própria seleção, atendendo a que Fernando Santos já disse que esta convocatória está próxima da que levará ao Mundial.

Desejo que isto dê aos nossos jogadores ainda mais força, que consigam transformar a desilusão em motivação e fazer um fim de época ainda melhor se possível, "obrigando" o selecionador a levá-los à Rússia.

sábado, 17 de março de 2018

7+7

O Benfica venceu o Feirense por 2-0 e cumpriu com a sua obrigação num momento importante, após a perda de pontos do Porto na jornada anterior e antes da interrupção do campeonato para jogos das selecções.

O jogo apresentava-se difícil, não apenas por ser uma deslocação a um campo de uma equipa que luta neste momento contra o espectro da despromoção, como também por todo o ruído que rodeia o futebol neste momento e incidências específicas da partida. Entre estas últimas contam-se o terrível estado do relvado, as notícias que deram conta de que o clube de Santa Maria da Feira tinha decretado não querer adereços do Benfica, assim como 1.000 convites alegadamente distribuídos pela equipa da casa a destinatários incertos. E, claro, as suspeitas do "jogo da mala".

Seja como fôr, a equipa fez o jogo que se pedia, com bastante entrega e qualidade nos momentos certos.

Desta vez não foi Jonas mas sim Raúl a decidir, poucos segundos depois de entrar em campo, no início da segunda parte, quando já jogávamos contra 10 (expulsão correcta e indiscutível) e se pedia mais presença na área. O mexicano voltou a demonstrar quão importante é neste plantel, numa noite em que Rafa voltou também a ser decisivo, não apenas pelo golo mas também pela jogada de que resultou a expulsão do jogador dos visitados. O pequeno extremo tem de facto uma velocidade estonteante, assim como um grande controlo de bola. Precisa apenas de ter um pouco mais de tranquilidade no momento da decisão pois poderia ter marcado mais esta noite.

O resultado só peca por defeito: além dos dois golos, o Benfica teve três bolas nos ferros e múltiplas bolas na área que poderiam ter sido melhor definidas, dando outra expressão ao marcador. O essencial foi porém feito, desta vez sem sobressaltos ou tensão excessiva, dado o facto do golo que abriu o marcador ter surgido cedo na segunda parte.

Vencendo este jogo, o Benfica mantem intactas as suas aspirações ao Penta, dependendo apenas de si, o que não significa que o caminho seja fácil. Mas para já cumprimos metade do caminho: 7 vitórias seguidas. Falta a outra metade: mais 7 vitórias nos 7 jogos que faltam até ao fim do campeonato. Se o alcançarmos seremos campeões. E agora temos duas semanas para recarregar baterias e preparar essa recta final que todos esperamos vencedora.